55% dos clubes da elite carimbam o passaporte ao final do Brasileirão

Descrição do post.

Marcelo Ramos

9/21/20262 min read

Ao final de cada edição do Campeonato Brasileiro, a tabela não representa apenas posições, pontos e números. Ela também define caminhos. Para alguns clubes, o encerramento da competição significa a classificação para uma disputa continental. Para outros, representa a permanência na elite. E, para quatro equipes, o destino é a Série B.

Uma das características das competições nacionais atuais — embora também estivesse presente na segunda metade do século passado, quando ainda não possuía a mesma importância — é justamente a distribuição de vagas para as equipes do futebol brasileiro nas competições continentais.

No modelo atual, pelo menos 11 dos 20 clubes participantes da Série A, o equivalente a 55%, garantem ao final do campeonato uma vaga em competições continentais, entre a Copa Libertadores e a Copa Sul-Americana. Dependendo dos resultados das demais competições nacionais, esse número pode até aumentar.

Entre a classificação e a permanência

Se, por um lado, mais da metade dos clubes termina a temporada com um passaporte carimbado para uma competição continental, por outro, existe uma disputa igualmente importante na parte inferior da tabela.

Dos nove clubes que não conseguem uma vaga continental, quatro terminam o campeonato entre os últimos colocados e são rebaixados para a divisão imediatamente inferior — a Série B.

Restam, portanto, cinco equipes que terminam em uma espécie de zona intermediária. Não conquistam uma vaga continental, mas também não sofrem o rebaixamento. Para esses clubes, terminar o campeonato significa, antes de tudo, respirar e garantir mais uma temporada na elite do futebol brasileiro.

É uma posição que muitas vezes parece pouco celebrada diante da disputa pelas primeiras colocações, mas que possui enorme importância para a sobrevivência esportiva, financeira e institucional de uma equipe.

Afinal, quando o campeonato é realmente decidido?

É justamente aqui que surge uma questão interessante.

Se a posição final na tabela determina tanto o futuro dos clubes, em qual momento do campeonato essa posição começa, de fato, a ser construída?

Será na última rodada?

Será naquele confronto direto contra um adversário que também luta pelo mesmo objetivo?

Será nos jogos disputados contra equipes que estão na parte de cima da tabela?

Ou será muito antes, em uma rodada aparentemente comum, quando dois ou três pontos deixados pelo caminho acabam fazendo diferença meses depois?

O Campeonato Brasileiro possui 38 rodadas, mas a importância de cada partida não é necessariamente percebida no momento em que ela acontece. Um empate que parece pouco relevante em agosto pode se transformar em um ponto decisivo em dezembro. Uma vitória considerada apenas mais uma pode representar, ao final da competição, a diferença entre uma vaga continental, a permanência na Série A ou o rebaixamento.

Por isso, olhar apenas para a tabela final talvez seja insuficiente para compreender como cada clube chegou àquela posição.

A classificação é construída rodada após rodada.

E é justamente essa construção que queremos investigar.

No próximo artigo, vamos partir dessa pergunta e tentar entender, juntos:

Em qual jogo ou rodada, de fato, definimos a posição que ocuparemos ao final de cada temporada na elite do futebol brasileiro?

Talvez a resposta esteja muito mais distante da última rodada do que imaginamos.